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NOTA DE FALECIMENTO: CNS lamenta morte do professor Ruben Araujo de Mattos, um grande defensor do SUS

Publicado: Segunda, 28 de Dezembro de 2020, 13h02 | Última atualização em Terça, 05 de Janeiro de 2021, 18h13
imagem sem descrição.

O Conselho Nacional de Saúde (CNS) lamenta a morte de Ruben Araujo de Mattos, aos 63 anos, na sexta-feira (25/12). O médico e professor-associado do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IMS/UERJ) está marcado na história como um dos grandes defensores do Sistema Único de Saúde (SUS) e da educação pública no Brasil.

Nossa solidariedade aos amigos, familiares, colegas, alunos e alunas que tiveram a honra de conviver com ele, que dedicou sua vida à formação de pessoas no campo da saúde. Uma perda imensa, irreparável para o SUS, para o campo da Saúde Coletiva, para a Academia e para todas e todos que conviviam com ele.

Ruben formou-se em medicina em 1981, pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Seguiu carreira acadêmica na mesma universidade, tornando-se mestre em Medicina, na Área de Concentração Medicina Social (1988), e doutor em Saúde Coletiva (2000). Era professor do IMS/UERJ desde 1985, e foi diretor do instituto de 2004 a 2007.

Foi médico do antigo Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS), atuando no Hospital Geral de Nova Iguaçu de 1982 a 1990.

Durante seus 35 anos de magistério, Ruben se destacou como professor ético, bondoso, carismárito e talentoso. Reconhecido por tantas gerações de sanitaristas que formou e encantou com seu jeito afetuoso e acolhedor de ser.

Entre tantos talentos, Ruben escrevia poemas e compartilhava com algumas pessoas. Com o pseudônimo de Benjamin Barreto demarcou esse pedaço da sua história. Suas palavras, escritas no poema Arvorecer, deixam um alento neste momento.

Arvorescer
Benjamin Barreto

Ouvi falar de um tal de Bernardo,
“O único homem que alcançou de ser árvore”
E fiquei desejando arvorecer.
Não que almeje vir a ser uma árvore plena,
que é coisa de ser Bernardo.
Mas então, pra que arvorecer?
Porque arvorecendo, fixo mais a luz.
É da natureza das árvores crescer buscando a luz e,
dizem os entendidos,
usar a luz para sintetizar
algumas coisas novas,
coisas que sirvam
para alimentar outros seres.
E, dizem os entendidos,
que ao fixar a luz nessas coisas,
as árvores também oxigenam a vida…
Porque arvorecendo,
sombreio.
É da natureza das árvores criar sombras no mundo,
criando em um pequeno territorio um lugar mais fresco,
para acolher o caminhante,
para abraçar o errante,
lugar de encontro e de descanso …
Porque arvorecendo, posso aprender a cantar com os passaros.
É da natureza das árvores encantar pássaros,
fazendo-os cantar ao som soprado do vento
e ao bailar das suas folhas.
Porque arvorecendo, posso orquidear.
É da natureza da árvore abrigar uma orquidea, que embeleza a vida,
perfuma a alma,
encanta quem a vê …

Pensei arvorecer na floresta,
Arvorecer no meio da selva.
Lá a sombra é grande,
as folhas substituem o céu.
Mas por lá tem muita disputa,
cada arvore querendo subir mais alto
para ser a melhor fixadora de luz
e sombrear as outras.
Pensei: é muita metidez de árvore.
Por isso desisti de arvorecer na floresta.
Quero arvorecer longe da multidão,
que nem aquela árvore na colina: copa iluminada
onde se prepara o alimento,
sombra aconchegante
onde descansam e cantam os passaros,
com uma linda orquidea …
Quero ser um oasis na duna de relva.
(Será metidez de gente?).
E quem sabe,
de quando em vez
florescer de branco toda a colina
(ou será de vermelho?)

Conselho Nacional de Saúde

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